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Tuesday, 28 May 2013

As injustiças que Moçambique esta farto e cansado de ver que esta greve dos medicos deve ajudar a resolver:

um pais onde o racio Medico/Paciente é de 1 medico esta para 20,000 habitantes um pais onde o racio enfermeiro/paciente é de 1 enfermeiro para 8,000 habitantes um pais que aloca somente 6% do orçamento do estado para a saude de 23 Milhoes de habitantes um pais que aloca 0.7% do orçamento do estado para o Ministerio da Mulher e Acçao Social implementar programas de assistencia social, quando cerca de 54% da populacao (12.5 milhoes) vivem debaixo da pobreza um pais que tem exemplos como a provincia de Tete que tem pouco mais de 60 medicos (muitos deles em funçoes administrativas) e uma populacao de mais de 2 milhoes de habitantes, o que significa que o racio medico paciente naquelas terras do carvao sobe para 1 medico para cada 30,000 pessoas. Isto so pode significar para muitos, nascer, crescer e morrer sem nunca ter visto ou visitado um medico na vida... Nao é so uma questao da imcompetencia do Dr Manguele... é falta de sensibilidade de que distribui os recursos, por mais poucos que sejam. A continuar a receber 6% do orçamento, qualquer um que for nomeado para o cargo de Ministro da Saude vai falhar. Por mais que tenha milhentos de doutoramentos, por mais que seja Arroz, vai falhar, porque quem distribui os recursos do pais é egoista e so pensa na sua barriga e no seu umbico, incluindo a conivencia criminosa dos deputados que votam um orçamento de 6%, quando na realidade, o minimo que a saude deveria receber hoje seria na ordem dos 15% do orçamento do estado... é uma questao de justiça... :(

Tuesday, 2 April 2013

Papa Francisco: O nascimento de uma Nova liderança

Quebrando com a tradição da igreja católica, o Papa Francis lavou e beijou os pés de uma jovem muçulmana mulher que se encontra a cumprir pena na prisão Casal del Marmo em Roma, marcando uma viragem sem precedentes na tradição Papal na Quinta-feira Santa. Se bem que é tradição Papal de há seculos, lavar e beijar os pés dos fiéis em conflito com a lei (a cumprirem penas em prisões) no dia que antecede a sexta-feira Santa, nunca antes do Papa Francisco nesta Pascoa, um Sumo Pontífice tivesse lavado e beijado os pés de uma mulher antes, e muito menos tivesse lavado e beijado os pés que não fossem crentes católicos. Ao lavar e beijar os pés da jovem muçulmana Sérvia numa prisão de Roma, marcou enormemente a quebra das tradições e mostrou a vontade do novo Papa Francis de implementar reformas na igreja, e não há nenhum melhor modo de mostrar o seu serviço para com os menos afortunados e pobres, no início do seu pontificado. Ao lavar e beijar os pés de 12 prisioneiros (12 apóstolos) com as idades de 14 a 21 anos, entre as quais 2 mulheres, não é só um ritual do Papa Francis, mas um sinal positivo da igreja e na vida dos crentes que esta por vir. Isto porque, como em qualquer lado, a Igreja católica tem a “ala dura” que provavelmente pode ter ficado irritada com a inclusão de mulheres neste ritual, e também inclusão de não católicos e logo muçulmanos, não só por casa da crença de que os 12 apóstolos eram todos homens, mas a guerra religiosa atual liderada pelo Irão, onde o fundamentalismo islâmico é cada vez mais radical e intolerante. Mas desenganem-se os que pensam que o Papa Francisco é sol de pouca dura, pois seus correligionários já receberam o aviso de priorizarem aos pobres. No novo Evangelho do Papa Francisco, propaga-se uma igreja que chegue onde estão os pobres, onde se derrama o sangue, onde se faz vista grossa das injustiças do mundo, onde estão os milhões que sofrem as injustiças e crueldades das lideranças terrenas. Estes repetidos apelos do Papa Francisco, soam que nem uma aclamação da necessidade do cumprimento dos Objetivos para o Desenvolvimento do Milénio e eliminação da Pobreza. Soam como se o Vaticano tivesse assinado esses objetivos e fosse lutar para com que os mais de 1 bilião de católicos e todos os 7 biliões de seres humanos que habitam no planeta terra, pudessem sair da pobreza e deixassem de sofrer quaisquer tipo de violência e descriminação, incluindo violência contra a mulher. Isto também mostra que o Papa Francisco não esta só, e aceitando que ele não se transformou agora que foi eleito Papa, mas que os dois terços que o elegeram, sabiam o que ele era, quer isso dizer que na igreja, há muitos querem ver reformas e poderemos não ter até um Concílio Vaticano III, mas certamente teremos "um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo", como classificou o Papa João Paulo II em 1995. Como agora, urge a igreja fazer uma "reflexão global" para que a Igreja seja cada vez mais "a fidelidade ao seu Deus. Mas este impulso, que passou pela eleição de uma Papa não Europeu, vem também das grandes mudanças do mundo contemporâneo, que, como “sinais dos tempos”, exigiam ser decifradas à luz da Palavra de Deus. O papa Francisco não esta a convocar um Concílio Vaticano III, através da bula papal (Humanae salutis), como fez o Papa João XXIII, mesmo porque o tempo é muito curto para a realização de outro Concilio Vaticano, mais a mais porque a interpretação das 4 constituições, 9 decretos e 3 declarações elaboradas e aprovadas pelo Concílio não foi concluída e nem totalmente entendida. O Papa Francisco não esta convocar 2000 Prelados de todo o mundo para discutiram e regulamentaram vários temas da Igreja Católica. Ele esta a convocar a humanidade inteira a repensar a si própria, os problemas que os humanos se causam a si próprios, que os levam a autodestruição. É um debate onde todos devem participar a procura da solução, visto que muitos que se intitulam expertos de soluções contra a pobreza e participaram na discussão dos Objetivos para o Desenvolvimento do Milénio e eliminação da Pobreza até 2015, agora, a menos de 2 anos para a data limite que o conhecimento os indicava, agora surgem com adiamentos, para mais 15 anos da continuação das imagens de terror, onde cada vez mais crianças, não conseguem ir a escola, cada vez mais mulheres são violadas somente por serem mulheres, cada vez mais [pessoas passam e morrem a fome quando toneladas de alimentos são jogados ao mar, só para não baixarem os preços dos alimentos, cada vez mais o homem busca subterfúgios para se auto aniquilar por interesses inconfessáveis… O Papa Francisco tem repetidamente pregado nas suas missas na Basílica de São Pedro, que não é através das “rezas, meditações, contemplações, autoanálise ou introspeção constante que encontramos o Senhor nosso Deus”, mas sim indo ao seu encontro mudando a face da Pobreza, por outras palavras, eliminando a pobreza da face da terra, pois ela mostra o sofrimento de Deus, que nos causamos a sua imagem e semelhança.

Monday, 18 March 2013

Moçambique: Cuidemos da nossa pobreza e deixemos que a Guine Bissau cuide tambem dos seus "kumbas"!

Fico agradado pelo debate suscitado pelo relatório do PNUD sobre o IDH em Moçambique. O bom do debate esta nas diversas formas de ler e interpretar o conteúdo e definição de Desenvolvimento Humano, segundo as convicções e orientações políticas de uns e de outros. Nada de errado há nas duas formas de ler o mesmo relatório, para além do facto dos pobres e marginalizados, nas poderem participar no debate. Refiro-me aos que vivem com menos de $1, ou 30Mts por dia, que duvido que tenham acesso ao Facebook, para fazer ouvir a sua voz. Para mim, na minha pobre ignorância, por mais que pareça o relatório do PNUD sobre o IDH não tenta comparar países. Ele reporta o desenvolvimento de cada país em separado, só que é publicado num único documento. Existe um sumario executivo, mas este relatório sobre o IDH, não tenta dizer que a pobreza na Guine Bissau é melhor que na Somália, ou o nível da escolaridade no Níger é melhor duque na Nigéria, ou ainda que o conflito no Mali é melhor do que o de DRC Congo ou mais ainda a fome em Nicuoadala é melhor Mavume… fome é fome, não existe nem pior ou melhor fome ... e, se não temos comida e nem recursos de como a conseguir ou forcas para cultivar alimentos, ou ainda azar de não chover, corremos o risco de morrer de fome, ou estender a moa e pedir que tem para nos ajudar. Na mesma anologia, o saudaso Presidente Samora Moises Machel dizia: ...colonialismo é colonialismo, não existe melhor colono... para dizer que Inglês, Português, Espanhol, Francês ou Holandes, foi tudo colonização, e como tal trouxe profundas alterações no desenvolvimento das sociedades colonizadas e, como tal, deve ser o motivo de todas as lutas etnicas e guerras civis em muitos estados falhados de hoje (Guiné Bissau, Costa do Marfim, Liberia, Sudão do Sul, DRC Congo, Republica Centro Africana, Ruwanda, etc.)

 Até pela relatividade dos factos reportados pelo relatório do PNUD sobre o IDH, seria ridículo tentar comparar Moçambique com 22 milhões de Habitantes e Guine Bissau com 1.5 milhões ou ainda com os cerca de 1 milhão da Swazilândia. O que quero aqui dizer é que a gestão populacional, assim como a gestão de qualquer família, depende do número e dos recursos disponíveis. Senão vejamos, para um País como Botswana com menos de 1 milhão e com maires jazigos de diamantes do mundo não admira que o seu per-capita seja $16,800 que advém do PIB de $17.64 biliões, enquanto Moçambique, com 22 milhões e a vastidão territorial de mais de 22 maior que o Botswana e um PIB de $14.64 biliões, tenha um per-capita de $1,200. Desnecessário aqui dizer que o per-capita de $1,200, não significa que todo o Moçambicano tenha acesso a $1,200, porque a vida real mostra que há os que tem $20,000 ou $50,000 e há os que não tem nada ou $0 (zero). Essa analogia é aplicável no caso das famílias: Se uma família 5 pessoas (pai, mãe e 3 filhos) ganha o equivalente a 600,000Mts/ano ($20,000/ano), significa que cada membro daquela família teria o equivalente 120,000Mts ou aproximadamente 330Mts/dia para os seus gastos. Esse salario de mais de meio milhão de Meticais ano (600,000Mts), não cai do céu, a pessoa precisa ter formação superior solida e um bom emprego, ou ser um empresário de sucesso ou ainda ser uma artista plástico ou musical de renome nesta nossa terra. Mas se pelo contrário, uma outra família se uma família 5 pessoas (pai, mãe e 3 filhos) ganha o equivalente a 36,000Mts/ano ($1,200/ano), significa que cada membro daquela família teria o equivalente 7,200Mts ou aproximadamente 20Mts/dia para os seus gastos, alimentação, chapa, cadernos, energia, credito, lazer, deve ser coberto por estes rendimentos da família. É desnecessário dizer que se uma terceira família não trabalha, não terá rendimentos e para não morrer de fome ira roubar, prostituir-se, pedir na rua, sei la. E se um membro da família tira esse rendimento da família dos cinco, quer seja na primeira ou segunda família, e vai beber com os amigos, ou dar uma ou um amante, isso significa que o número das pessoas que se distribuí o rendimento aumenta e baixa o valor nominal que cada pessoa da família recebe, a menos que este vai roubar ou desviar fundos da empresa, mas este é outro assim, para outra jornada de discussão. A pergunta para mim é, ao invés de ficarmos a desejar ir viver para Guine ou Cochinchina, sugeria que olhasse-mos só para o nosso umbigo... O melhor seria nos auto perguntarmo-nos, temos mesmo 54% da população, isto é quase 12 milhões de Moçambicanos na linha da pobreza. Será isto verdade que 12 milhões de Moçambicanos, independentemente da sua idade, não têm 30Mts por dia o que corresponderia a 10,950Mts por ano? Se não, então o PNUD mente! Se sim, importa analisar porque isto acontece ou aconteceu (deixando de fora os eternos culpados da nossa desgraça: guerra de desestabilização ou colonialismo, com mais de 20 e 38 anos respetivamente, e claro não vamos esquecer o tempo que passou, mas para um exercício serio e inclusivo, deixemos de lado estes 2 factores).

Sendo verdade, então o que se pode fazer para no(s) próximo(s) ano(s), não sejam 13 milhões a tentar sobreviver na linha da pobreza com menos de 30Mts, mas sejam já 11 ou ainda 10 milhões nessa linha… a mesma analise deve-se fazer sobre quantas crianças estão fora da escola este ano e porque (por vários motivos, que seja porque o pai morreu, o pai abandonou, maus tratos, trafico, professor morreu, tem fome, mãe não trabalha, etc.) e o que se pode fazer para evitar este numero cresça no próximo ano... Digo isto porque toda a criança moçambicana é filha deste país, e se ela continuar fora da escola, ou sem cédula, ou ainda a nascer infectada pelo HIV ou deficiência, vai continuar a colorir negativamente o nosso (Moçambique) IDH… daí o apelo para que cuidemos nós dos nossos pobres e deixemos que a Guine Bissau cuide dos deles, porque a posição no IDH pode ser cega, na forma como coloca os países num mesmo relatório, mas a pobreza que grassa o nosso país Moçambique é real, e não vai mudar por artes magicas ou discursos belicistas ou paternalistas, precisamos fazer algo para que os pobres não afundem o nosso pais como um todo. Hoje os pobres são a maioria e não podemos deixar que continuem a aumentar…